quarta-feira, 30 de junho de 2010

Fim da festa na Eurolândia

Para começar vamos entender o que compõe o PIB de um país. O produto interno bruto (PIB), é composto pela soma do consumo das famílas, os gastos do governo, os investimentos, exportações e subtrai-se as importações. Portanto, conforme o governo aumenta seus gastos, expande o PIB do país, enquanto ao diminui-los, reduz; Porém, essa medida aumenta a dívida governamental.


Em períodos de crise, o governo pode executar políticas fiscais expansionistas (aumentar seus gastos), para compensar as perdas nos componentes consumo e investimento, assim como medidas de política monetária, como redução da taxa de juros, que estimula o consumo e o investimento. 


Em geral não gosto de questionar economistas que estão no mercado a muito tempo, muito menos do FMI, muito menos do BCE, enfim, economistas que eu admiro, mas, medidas de austeridade fiscal, no momento, não parecem ser a resposta certa para os problemas da União Europeia.

terça-feira, 29 de junho de 2010

Marijuanomics na Califórnia

Segue um texto muito interessante que foi publicado no blog Freakonomics de autoria de Daniel Hemermesh:

A NPR publicou uma história a respeito do crescente custo médio de plantar maconha em Humboldt County, Califórnia, um centro da indústria. Os custos estão aumentando por dois motivos: 1)Grande parte do cultivo passou a ser feito em ambientes fechados, com períodos de crescimento de 24 horas, o que demanda mais energia elétrica; e 2)O preço da energia elétrica, e do óleo diesel, usado nos geradores para plantio em locais fechados, aumentaram. A curva de oferta de maconha irá deslocar-se para a esquerda (a oferta irá diminuir). Os preços sobem no curto prazo.

A questão interessante é, o que acontecerá com os preços se, a Califórnia aprovar a iniciativa para legalização da maconha em novembro. Se isso ocorrer, a demanda irá deslocar-se para a direita (a demanda aumentará), aumentando ainda mais o preço. Porém as pessoas poderão plantar pequenas quantidades em suas próprias casas,  o que deverá manter os preços um pouco mais baixos, o que pode aumentar consideravelmente a oferta. Não está claro o que acontecerá. 


quinta-feira, 17 de junho de 2010

Salve-se quem puder

Hoje, Paul Krugman postou em seu blog, um texto em que crítica as medidas de austeridade fiscal que estão sendo encaminhadas nos países da união europeia. Logo no início do texto ele diz: "And the march to a lost decade continues", ou seja, " e a caminhada para uma década perdida continua". Seu argumento é basicamente que os casos do passado em que as medidas de austeridade fiscal foram implementadas, como o caso da Irlanda nos anos 80, em conjunto foram feitos cortes na taxa de juros. Essa queda na taxa de juros teria ajudado a reaquecer a economia irlandesa e é justamente este ponto que é posto em discussão, pois a austeridade fiscal na europa não conta com uma política de redução de juros, para ajudar no reaquecimento da economia.


Sua última frase na postagem é a seguinte:
"I’m getting a very bad feeling about the world’s economic prospects."

Quanto o vazamento de petróleo no Golfo do México está custando a BP?

     Esta semana a BP declarou, sem nenhuma contestação, que irá fazer pagamento de U$20 bilhões de dólares a um fundo de indenizações proposto pelo governo dos estados unidos. 
     Desde o início do vazamento no Golfo do México, ocasionado pela explosão e afundamento da torre petrolífera Deepwater Horizon, já vazaram cerca de 2,4 milhões de barris de petróleo, aproximadamente 40 mil barris por dia, dos quais, a empresa tem conseguido coletar apenas 15 mil barris diários. Hoje a cotação do barril de petróleo WTI no mercado futuro de Wallstreet fechou a U$76,8 aproximadamente, o que já da um prejuízo, somente em perda de petróleo de cerca de U$184,3 milhões.  A empresa também declarou que deixará de pagar dividendos por 3 trimestres para ajudar a reduzir a pressão política que vem enfrentando devido ao vazamento, o que equivale, em termos de 2009, a U$1,9 bilhão. 
A BP também venderá ativos e reduzirá investimentos em capital.
     Porém, a cereja do bolo, é o gasto de mais de 50 milhões de dólares que a empresa teve com propaganda, para amenizar o impacto do desastre sobre sua imagem. Desde o acidente com a plataforma, a BP vem sendo acusada de ter reduzido o dinheiro destinado a segurança e prevenção de acidentes. 
     Sabemos que as pessoas tendem a rejeitas outras que não sejam íntegras, pois o mesmo aplica-se às empresas no mercado acionário. As pessoas tendem a não querer investir nessas empresas.
     Agora, vamos imaginar o quanto a BP valoriza a sua imagem; somente com a soma de todos esses valores chegamos a aproximadamente 25 bilhões de dólares, que são apenas 10% de toda a receita bruta da empresa em 2009, e corresponde a 23% da sua reserva de lucros.
     Desde o início desta crise na British, suas ações já caíram mais de 48% no mercado, uma perda equivalente a 52 bilhões de libras, para voltar ao seu patamar de antes do vazamento as ações da BP têm que se valorizar mais de 94%. 
     Esses números só corroboram o argumento de que sem dúvida no mercado atual um dos pontos mais importantes para atrair investidores para suas empresas é a integridade do seu negócio e a British sabe disso, por isso ela concordou tão rapidamente com a criação do fundo de indenizações, assim como seus acionistas reagiram bem a notícia de suspensão de dividendos, pois eles entendem que não há outra forma de a empresa sobreviver se não for preservando sua imagem perante os mercados.
     

terça-feira, 15 de junho de 2010

Qual dos seus amigos você compraria?

Em geral, quando estamos contratando alguém, procuramos características que vão além das conquistadas dentro da sala de aula ou até mesmo em experiência de trabalho. De longe, as características mais importantes ao se contratar uma pessoa são, integridade, inteligência e pró atividade, necessariamente nesta ordem, e é uma escada, se você não tem a primeira característica, as outras duas não importam, até porque, se você contrata alguém que não é integro, você quer que ele seja burro e preguiçoso, não inteligente e ativo.
Agora imagine a seguinte situação, digamos que você pode comprar 10% de qualquer uma das pessoas que você conhece pelo resto da vida dela como investimento. Qual amigo você escolheria?

Você faria um teste de QI com seus amigos e escolheria o que se saísse melhor? Que tivesse o maior QI?
Dificilmente.

Escolheria aquele que tinha, ou tem, a melhor nota na faculdade ou no colégio?
Dificilmente.

Você também não escolheria aquele que tem mais energia, que é mais pró-ativo.

Então começaríamos a procurar por qualidades que vão além de inteligência, simpatia etc. Pois esses atributos não são tão difíceis de serem encontrados. Eu diria que se pensássemos a respeito desta questão por um tempo, provavelmente escolheríamos aquela pessoa que mais admiramos, aquela pessoa que nós queremos estar próximos, aquela pessoa que tem as características de liderança.
Poderíamos então, pegar todas as características que admiramos nesta pessoa e fazer uma lista.

Agora, vamos inverter um pouco o jogo e vamos pensar na pessoa que não compraríamos de jeito nenhum. Então escrevemos todas as características que não gostamos dessa pessoa em uma outra lista. E o resultado é que, as qualidades da pessoa que queremos comprar são exatamente o oposto dos atributos da pessoa que não compraríamos de jeito nenhum.

Se olharmos todas as características que encontramos da pessoa que escolhemos para comprar 10%, não são características como beleza, habilidade no esporte etc. São qualidades que, se nós quisermos ter, nós podemos, são qualidades de comportamento, temperamento, que são alcançáveis. Da mesma forma, se olharmos os atributos da pessoa que não gostaríamos de comprar, são comportamentos que não precisamos ter, e se tivermos, quanto mais jovem formos, mais facilmente podemos mudar, pois a maior parte dos comportamentos são habituais, e hábitos podem ser mudados, como o hábito do uso de cinto de segurança nos carros.

Dizem que mudanças no hábito são muito insignificantes para serem sentidas, até que sejam muito fortes para serem mudadas, e não consigo pensar em uma frase mais perfeita para descrever as falhas comportamentais das pessoas com relação tanto a suas vidas pessoais quanto profissionais. É basicamente uma questão de escolher quais comportamentos desejamos ter, e por que não escolher aqueles que estão presentes nas pessoas que mais admiramos?

Eu diria que se passássemos a adotar esse tipo de atitude com relação a mudança de hábitos, mais rápido do que imaginamos, nós mesmos seríamos o indivíduo que gostaríamos de comprar 10%. E a boa parte é que nós já possuímos 100% de nós mesmos e felizmente (ou infelizmente para alguns) estamos presos a isso para o resto de nossas vidas, além de que nos conhecemos melhor do que qualquer outra pessoa.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Blogs interessantes


Trata-se de um blog muito interessante do professor de introdução a economia da faculdade de Harvard, ele também é o escritor do livro mais usado nos cursos de introdução a economia aqui no Brasil chamado "Introdução a Economia".


É o blog do autor dos livros Freakonomics e Superfrekonomics. Microeconomista, Steven Levitt explica as relações bizarras do dia a dia, como por exemplo a relação entre lutadores de sumô japoneses e os professores do ensino médio de Chicago ou o que o monte Pinatubo e Al Gore tem em comum.


Blog do NY times do renomado economista de Princeton, Paul Krugman. Prêmio nobel de economia de 2008, famoso por fazer-se entender entre economistas e leigos, mesmo quando trata de assuntos técnicos.

domingo, 13 de junho de 2010

Previsão (no mínimo diferente) para essa copa

15 empates, com 1 jogo de tolerância para cima ou para baixo, ou seja, de 14 a 16 empates.

Depois de observar a péssima qualidade da bola que está sendo utilizada nos jogos farei previsão de uma média de 2,0 gols por partida com 0,2 gols de tolerância para cima ou para baixo, ou seja, de 2,2 a 1,8 gols por partida .

quarta-feira, 9 de junho de 2010

O bom aumento na taxa de juros

Hoje o comitê de política monetária decidiu, por unanimidade, elevar a taxa básica de juros da economia (SELIC) em 0,75 p.p. para 10,25% ao ano. Mas por que o Banco Central eleva a taxa de juros justo em um cenário de crescimento econômico?

Primeiramente vamos passar alguns pontos importantes de economia para entendermos melhor a situação.

Inflação = Aumento nos preços.
Outro ponto básico mas muito importante, é a lei da oferta e demanda, basicamente, quando a demanda (procura) por um determinado bem aumenta, o preço deste tende a aumentar, e se a demanda diminui o preço deste tende a diminuir. Da mesma maneira, se a oferta desde bem aumenta o preço deste tende a diminuir e se a oferta diminui o preço aumenta.
Outro ponto importante é o seguinte, simplificando um pouco o mundo, as pessoas tem uma decisão importante a ser tomada com relação ao dinheiro, elas podem guardar dinheiro em uma instituição financeira, que rende juros, ou mantê-lo no bolso, que não rende juros nenhum. Se mantiverem todo o dinheiro no banco rendendo juros não terão nada para comprar bens, consumir. Se mantiverem todo seu dinheiro no bolso estarão deixando de ganhar juros. Portanto, quanto maior a taxa de juros, mais atrativo fica manter seu dinheiro guardado e quanto menor a taxa de juros, mais incentivos temos para manter dinheiro no bolso.
O terceiro tópico é o mais complexo e está relacionado com o mercado de trabalho e a taxa de desemprego. Encarando o mercado de trabalho como um mercado qualquer, temos que os trabalhadores são os produtos deste mercado e que seus salários são seus preços. Agora, novamente pela lei de oferta e demanda, se o número de desempregados diminui, significa que há uma escassez deste bem (trabalhadores) nesse mercado, ou seja, seu preço (salário) irá aumentar e vice versa. Sabemos que as firmas incluem nos preços de seus produtos os custos de mão-de-obra, portanto, quanto mais caro for a mão-de-obra, maior será o preço do produto que a firma produz. Concluindo, quanto menor o desemprego, maior o salário, as firmas repassam isso para seus produtos e os preços elevam-se. TROCANDO EM MIÚDOS : Quanto menor o desemprego maior a inflação e vice-versa.

Uma rápida análise do cenário brasileiro nesta primeira metade do ano nos permite concluir o porquê do aumento da taxa básica de juros da economia.
Temos que desde o inicio do ano o consumo das famílias vem aquecido devido as medidas tomadas durante a crise de 2008/2009 como a redução de impostos, principalmente de IPI sobre automóveis e eletrodomésticos da linha branca e como a redução da taxa de juros para 8,75% a.a. Como o aumento no consumo foi estimulado, rapidamente, por essas medidas, a demanda aumentou rapidamente, e não foi acompanhada pela oferta, pois para ocorrer um aumento da oferta as firmas devem passar a produzir mais, isso significa, investir em mais máquinas e equipamentos, contratar mais pessoas etc. Esse aumento maior da demanda do que da oferta leva a uma elevação no nível de preços (inflação). Tivemos também a redução da taxa de desemprego em abril para o nível mais baixo da série histórica neste mês, 7,30%, o que, como vimos anteriormente, também leva a um aumento da inflação.
Imaginem uma "cesta" que contenha os bens mais consumidos pelas famílias, se o preço desta cesta aumenta, significa que houve inflação, se o preço da cesta diminui houve deflação. Essa cesta é o IPCA (índice de preços ao consumidor amplo). Podemos observar o efeito de todos os eventos citados anteriormente ao avaliarmos o comportamento do IPCA desde o início do ano.
Em janeiro deste ano observamos um aumento de 0,75% no IPCA com relação a dezembro de 2009, em fevereiro houve um aumento de 0,78%, em março de 0,52%, em abril de 0,57% e em maio de 0,43%, ou seja, desde o início do ano tivemos um aumento de 2,31% no IPCA.
Essa desaceleração da inflação que observamos desde o início do ano foi devido a retirada de estímulos ao consumo (redução de impostos e da taxa de juros)e a certas sazonalidades. Porém, relatórios do BACEN, apontam que a expectativa do mercado para inflação no ano de 2010 está perto de 5,7%. Tendo em vista que o governo trabalha com uma meta de inflação na casa de 4,5%, ele deveria fazer alguma coisa para desacelerar a evolução dos preços.

Podemos então concluir porque o governo aumenta a taxa de juros em um momento de crescimento elevado da economia, com o rápido crescimento há um aumento maior na demanda agregada do que na oferta agregada, isso pressiona os preços, o aumento da demanda agregada leva as firmas a aumentarem sua capacidade de produção para atender os pedidos, aumentando investimento em máquinas, equipamentos e pessoal, o que leva a redução do desemprego, a redução nas taxas de desemprego eleva os salários, as empresas repassam essa elevação dos custos de produção para o preço de seus produtos, o que também reforça a inflação. Com todos esses fatores pressionando os preços, o governo encontra-se em uma posição em que tem que reduzir o crescimento da demanda agregada para evitar uma inflação acima do esperado, e a ferramenta que ele possui para isso é a taxa de juros. Com o aumento da taxa de juros ele desestimula o consumo das famílias (fica mais vantajoso manter um pouco mais de dinheiro no banco, rendendo um pouco mais de juros) e desestimula o investimento das firmas (fica mais custoso conseguir dinheiro emprestado, uma vez que ao pegar dinheiro emprestado as firmas precisam pagar uma taxa de juros), o que leva a um arrefecimento no mercado de trabalho, evitando o aumento dos salários acima do desejado, resultando assim em uma inflação mais baixa.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Por que os analistas, em geral, mentem?

Vamos aumentar um pouco a curiosidade do leitor mudando um pouco a pergunta do título do post; Por que os analistas de ações mentem, tanto quanto os agentes hipotecários que quebraram o mercado imobiliário americano?
É simples, eles tem incentivo suficiente para faze-lo.
A forma que as corretoras de valores mobiliários ganham dinheiro é cobrando corretagem sobre as ordens de seus clientes, ou seja, a cada ordem de compra ou venda que um cliente envia a sua corretora ele paga uma taxa, que entra como receita para a corretora, portanto, quanto mais ordens uma corretora receber maior será sua receita. Agora, se temos um superintendente de alguma corretora, e a renda variável deste indivíduo depende diretamente do desempenho da sua firma, ou seja, de quanto ela obterá de receita, temos que concordar que suas análises a respeito do mercado serão afetadas por seus interesses pessoais. Como a probabilidade de um analista ser punido, crucificado devido a sua má recomendação de que os investidores voltem a dar ordens em sua corretora é muito baixa, ele a faz frequentemente.
Da mesma forma atuavam os agentes hipotecários nos mercados imobiliários americanos, sua renda variável dependia de quantas hipotecas ele conseguia fazer por mês, logo, seu julgamento sobre os riscos inerentes ao empréstimo baseado no valor do imóvel em questão era altamente questionável.
Na outra ponta temos os economistas do governo, FMI, OCDE que também mentem, porém, seus incentivos são muito mais nobres.
Eles também mentem, mas suas mentiras são mais verdadeiras do que as mentiras dos agentes que atuam diretamente no mercado, por que ?
Simplesmente porque o mercado vive de expectativas e confiança. A partir do momento que uma autoridade declara que os mercados estão se recuperando, seus agentes, como, em geral, confiam nessa autoridade, assumem que o mercado realmente está melhorando e passam a comprar o que faz, de fato, com que este melhore, mesmo que antes não estivesse bom. Assim suas declarações que em princípio eram "mentiras", passam a ser verdades.

Burrices e Movimentos Inteligentes do Mercado

Nesta terça-feira, dia, 01/06/2010, vimos o IBOVESPA sofrer uma forte queda de 1.9%. Muitos analistas apontaram o fraco desempenho de certos indicadores de consumo na China e a queda de mais de 13% nas ações na British Petroleum como os principais motivos para esta queda no principal indicador brasileiro.
Não acredito que a British Petroleum tenha um peso tão grande sobre as bolsas de todo o mundo, além de que desde o início do vazamento de petróleo no Golfo do México, as ações da empresa já despencaram mais de 37%, varrendo mais de 70 bilhões de dólares do seu valor de mercado, enquanto o IBOVESPA fechou o mês de maio com queda de mais de 8%, o pior mês desde agosto de 2008 quando sofreu queda de mais de 24%.
Quando o governo Chinês aumentou a taxa básica de juros e aumentou o compulsório dos bancos chineses no início do ano, seu objetivo era justamente frear a sua economia, diminuindo a liquidez do mercado, ou seja, retirando moeda de circulação, o que levaria a redução do consumo, assim como também já era esperada uma redução no nível de produção.
Quando foram divulgados os dados de atividade na China estes vieram abaixo dos divulgados anteriormente, como esperado, o que não explica a queda nas bolsas mundiais, pois como o mercado está sempre olhando para o futuro, já devia estar contando com a piora destes indicadores.
O que acredito que ocorreu no mercado nesta terça-feira foi que as bolsas do ocidente e da Europa seguiram as bolsas asiáticas que estavam em queda devido a tensão política que havia sobre o primeiro ministro japonês que estava prestes a renunciar de seu cargo após uma pesquisa divulgar o menor nível de popularidade do político desde que havia assumido.

Nestes momentos de crise fica muito difícil avaliar que efeitos certas notícias e políticas terão sobre os mercados, pois os mercados estão muito voláteis, ou seja, qualquer notícia ruim é sobre-valorizada, enquanto notícias boas são sub-valorizadas.
Temos como bom exemplo as recentes notícias sobre o mercado americano; o mercado de trabalho está se reaquecendo, dados de produção tem apontado constantemente melhoras na economia, e mesmo assim o mercado prefere ignorar e valorizar os dados negativos da produção manufatureira na China.
Quando o COPOM aumentou a taxa básica de juros em 0,75p.p. visando segurar um pouco a inflação, o mercado brasileiro nem sentiu, continuou em alta. Enquanto esse episódio mostra a inteligência do mercado, que já estava contando com um aumento na taxa de juros na realização de suas projeções, essa terça feira mostrou a burrice do mercado.

Para mim, o principal motivo da última queda forte na Bovespa foi porque, devido a atual conjuntura econômica mundial, nada justifica um IBOVESPA acima dos 70 mil pontos, basta olharmos para os índices Preço/Lucro das empresas do mercado brasileiro e veremos que no momento estamos valorizando nossas companhias acima de qualquer expectativa a esta altura do campeonato. Imaginem o seguinte: apenas um ano após a crise do subprime que fez tremer as pernas dos maiores banqueiros do planeta, os chamados "masters of the universe", crise que derrubou a Bovespa para a casa dos 30 mil pontos, nós estavamos com uma bolsa batendo no teto de 72 mil pontos, prestes a superar seus maiores níveis históricos, enquanto na Europa se desenvolvia a crise fiscal dos PIIGS, ou seja, não faz o menor sentido uma bolsa tão cara.
Então nós passamos por essas ondas de volatilidade na bolsa, que servem para ajusta-la a um nível adequado no cenário mundial.
Então será que nestes momentos de crise, funciona o famoso jargão de mercado "Comprar no boato e vender no fato" ?