Nesta terça-feira, dia, 01/06/2010, vimos o IBOVESPA sofrer uma forte queda de 1.9%. Muitos analistas apontaram o fraco desempenho de certos indicadores de consumo na China e a queda de mais de 13% nas ações na British Petroleum como os principais motivos para esta queda no principal indicador brasileiro.
Não acredito que a British Petroleum tenha um peso tão grande sobre as bolsas de todo o mundo, além de que desde o início do vazamento de petróleo no Golfo do México, as ações da empresa já despencaram mais de 37%, varrendo mais de 70 bilhões de dólares do seu valor de mercado, enquanto o IBOVESPA fechou o mês de maio com queda de mais de 8%, o pior mês desde agosto de 2008 quando sofreu queda de mais de 24%.
Quando o governo Chinês aumentou a taxa básica de juros e aumentou o compulsório dos bancos chineses no início do ano, seu objetivo era justamente frear a sua economia, diminuindo a liquidez do mercado, ou seja, retirando moeda de circulação, o que levaria a redução do consumo, assim como também já era esperada uma redução no nível de produção.
Quando foram divulgados os dados de atividade na China estes vieram abaixo dos divulgados anteriormente, como esperado, o que não explica a queda nas bolsas mundiais, pois como o mercado está sempre olhando para o futuro, já devia estar contando com a piora destes indicadores.
O que acredito que ocorreu no mercado nesta terça-feira foi que as bolsas do ocidente e da Europa seguiram as bolsas asiáticas que estavam em queda devido a tensão política que havia sobre o primeiro ministro japonês que estava prestes a renunciar de seu cargo após uma pesquisa divulgar o menor nível de popularidade do político desde que havia assumido.
Nestes momentos de crise fica muito difícil avaliar que efeitos certas notícias e políticas terão sobre os mercados, pois os mercados estão muito voláteis, ou seja, qualquer notícia ruim é sobre-valorizada, enquanto notícias boas são sub-valorizadas.
Temos como bom exemplo as recentes notícias sobre o mercado americano; o mercado de trabalho está se reaquecendo, dados de produção tem apontado constantemente melhoras na economia, e mesmo assim o mercado prefere ignorar e valorizar os dados negativos da produção manufatureira na China.
Quando o COPOM aumentou a taxa básica de juros em 0,75p.p. visando segurar um pouco a inflação, o mercado brasileiro nem sentiu, continuou em alta. Enquanto esse episódio mostra a inteligência do mercado, que já estava contando com um aumento na taxa de juros na realização de suas projeções, essa terça feira mostrou a burrice do mercado.
Para mim, o principal motivo da última queda forte na Bovespa foi porque, devido a atual conjuntura econômica mundial, nada justifica um IBOVESPA acima dos 70 mil pontos, basta olharmos para os índices Preço/Lucro das empresas do mercado brasileiro e veremos que no momento estamos valorizando nossas companhias acima de qualquer expectativa a esta altura do campeonato. Imaginem o seguinte: apenas um ano após a crise do subprime que fez tremer as pernas dos maiores banqueiros do planeta, os chamados "masters of the universe", crise que derrubou a Bovespa para a casa dos 30 mil pontos, nós estavamos com uma bolsa batendo no teto de 72 mil pontos, prestes a superar seus maiores níveis históricos, enquanto na Europa se desenvolvia a crise fiscal dos PIIGS, ou seja, não faz o menor sentido uma bolsa tão cara.
Então nós passamos por essas ondas de volatilidade na bolsa, que servem para ajusta-la a um nível adequado no cenário mundial.
Então será que nestes momentos de crise, funciona o famoso jargão de mercado "Comprar no boato e vender no fato" ?
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