terça-feira, 20 de julho de 2010

Decompondo o Brasil e os EUA

Dados de Penn World Table

  Em 1950 a renda per capita brasileira era de cerca de 16% da renda per capita americana, esse percentual foi aumentando até meados de 1980, quando passou a diminuir, chegando em 2007 a cerca de 22%.


Mas o que teria causado essa queda? Afinal, o que os EUA fizeram diferente do Brasil desde 1950?

Vamos começar analisando um gráfico da diferença de renda per capita dos dois países.


   Perceba que a partir de 1980 a renda per capita dos dois países começa realmente a distanciar-se.  Agora vamos dar uma olhada rápida na composição básica do PIB desses dois países nos últimos 57 anos. Vamos começar pelos gastos do governo como percentual do PIB.



Então o PIB do Brasil é "sustentado" por maior gasto governamental do que nos EUA. Surpreso?
Vamos analisar agora a parte de investimento como percentual do PIB.



Hmmm... Interessante... As duas séries vem bem misturadas até meados de 1980 (lembram de 1980?) e então os EUA passam a ter investimento como percentual do PIB muito superior ao Brasileiro. Por que será que o investimento Brasileiro é tão inferior ao Americano? Por que eram tão parecidos até 1980 e depois passam a ser tão diferentes? 

Vamos investigar um pouco a taxa de juros dos dois países.




   Em 1980 suas taxas de juros começaram a divergir, e voltaram a aproximar-se a partir de 1994, no plano real. 

   Parece meio óbvio dizer que a alta taxa de juros é um entrave ao desenvolvimento brasileiro, mas uma coisa é "achar" e outra coisa é buscar as evidências. Estão aí as evidências.

   Lembrando que estou avaliando apenas pela ótica da composição do PIB.

*Desconsiderei, neste post, a parte de consumo como % do PIB, pois ambos são muito parecidos nos dois países.


segunda-feira, 19 de julho de 2010

Corrupção x Confiança

O gráfico é auto-explicável:



Apesar disso parece que a confiança no nosso governo vem aumentando:



Em princípio parece que corrupção e confiança no governo não estão muito correlacionados...Vai entender...


quinta-feira, 15 de julho de 2010

Tá todo mundo louco

  Não entendo porque os políticos norte americanos (assim como todos os europeus), estão escolhendo medidas contracionistas via política fiscal em um momento onde mais do que nunca é necessário uma política expansionista. Argumentam que sua dívida/PIB é muito elevada. 

Hmmm...Mesmo? Os seus credores parecem não concordar. Desde o início do ano, as taxas de longo prazo nos EUA caíram de cerca de 2% para 1,75%, o que obviamente indica um aumento da confiança dos investidores, o contrário do que o governo argumenta. Então pra que comprometer seu crescimento, recuperação, criação de empregos, por uma moda de austeridade fiscal?

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Qual o filme mais lucrativo de todos os tempos?

   Se procurarmos uma lista com os filmes mais lucrativos da história do cinema, encontraremos em primeiro lugaro o sucesso de bilheteria do ano passado Avatar, seguido por Titanic e O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei. Porém, essa lista é organizada desconsiderando a inflação sobre os ingressos de cinema (que não foi pequena).

   Em 1939, um ingresso de cinema custava aproximadamente U$0,23, enquanto em 2010 está em U$7,25. Ao preço de 2010, Avatar faturou U$762 milhões, aproximadamente, somente nos EUA, enquanto a preços de 1939 ele teria faturado apenas U$22 milhões, aproximadamente, o que o coloca na distante décima quarta colocação do ranking de filmes mais lucrativos.

   O filme mais lucrativo de todos os tempos é o clássico E o Vento Levou que em 1939 teria faturado cerca de U$49 milhões, aproximadamente, o que a preços de 2010 seria um valor próximo de U$1,6 bilhão.

Eric versus Paul

Como eu já vinha dizendo, a Alemanha conseguiu acabar com a minha previsão, colocando a média de gols para fora da banda que eu já tinha determinado no post "Previsão (no mínimo diferente) para está copa".

Com a Alemanha, nesta copa tivemos um total de 145 gols em 63 jogos, o que nos dá uma média de 2,3 gols por partida. A Alemanha terminou a copa com uma média de gols de 2,3 por partida. Descontando essa aberração (em relação aos outros times), tivemos 129 gols em 63 partidas, o que dá uma média de 2,04 gols por partida, bem próximo do que eu havia previsto (2 gols por partida, com intervalo de 1,8 a 2,2 gols).

Obrigado Alemanha e Uruguai por terem proporcionado uma semi-final com 5 gols ¬¬ .

Até os 90 minutos da partida final da copa eu havia acertado na mosca o número de empates desta copa, 15, mas como o jogo terminou em 0x0 (agradecimentos a Casillas) tivemos um total de 16 empates (ainda dentro do intervalo pré-determinado). Mas esse número de empates não me incomoda tanto, pois só corrobora a minha teoria de aumento de competitividade no futebol.

Será que já mereço o mesmo prestígio de Paul?

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Eu no freakonomics

Sim, é verdade. Como se não bastasse ter uma história publicada pelo NY Times.... Tenho comentário publicado no blog freakonomics e concorrendo a um pequeno concurso promovido por Steven Levitt (estou insaciável, não?);

"O que você diria a uma celebridade?"

A ideia do concurso foi desenvolvida a partir de um post que Steven Levitt publicou, contanto uma situação em que ele e um amigo estavam em um hotel e encontraram com um senhor chamado, Ron Popeil, que é um inventor. Ele desenvolve aqueles produtos estilo "Tabajara", incluindo, fatiador de legumes, spray de cabelo para esconder calvície e outros. Steven Levitt questionou seu amigo por ter dito a Ron Popeil que era um grande fã e levantou a pergunta de o que diria a uma celebridade. Surgiu a ideia de fazer um concurso de "O que você diria a Ron Popeil?"

No blog o comentário está em inglês, mas vou traduzi-lo para o português. 

"Oi... Então, aquele fatiador de legumes não funciona também em carne humana não é?
Provavelmente assim eu teria a atenção dele e poderia conversar sobre praticamente o que eu quisesse
De qualquer forma, a razão que eu acho que as pessoas falam com celebridades que elas não "adoram" é poque elas querem fazer-se conhecidas, quer dizer, é meio estranho saber a respeito da vida de uma pessoa e essa pessoa não sabe nem o seu nome. Você apenas que mostrar que você existe."


Ou melhor ainda:

"Oi! Eu apertaria sua mão, mas tentei fazer as unhas no fatiador de legumes, então..."

Confira os comentários no blog, é o penúltimo comentário da quinta página e o outro está perdido em algum lugar da sexta página.


terça-feira, 6 de julho de 2010

A fisiologia assassinou o futebol e o NY times está me devendo

Vou postar aqui um texto que eu havia escrito no dia 17/06. No final tem um link para o post do blog economix do NY Times, interessante conferir.


Você sabe como realizar a medida do Peak de torque de força excêntrica dos principais músculos do membro inferior sem a necessidade da utilização da dinamometria isocinética no futebol? E como cuidar da termorregulação e complicação pelo calor na prática esportiva de futebol?
Não?
Nem os jogadores, treinadores e preparadores físicos das seleções participantes da copa do mundo de 1930.
A primeira pergunta, diz respeito a um aparelho que mede o equilíbrio das forças musculares atuantes sobre determinada área do corpo, no caso do futebol, do joelho. Trata-se de um aparelho também conhecido como "Tensiômetro" e foi introduzido em 1988, ou seja, muito distante do início da história das copas do mundo. 
O fato é que com o aumento da tecnologia, nós observamos também um aumento na utilização desta dentro do esporte, sempre buscando a otimização de resultados, e o bom é que de fato funcionou e funciona até hoje. Agora, quando combinamos esses resultados com a globalização, abertura das economias, propiciamos um ambiente para transferência de tecnologias, assim como um mercado de jogadores de futebol, o que possibilita a um jogador da Costa do Marfim receber o mesmo treinamento, técnico e físico, de um jogador Alemão. O resultado desse mix é que aumentamos a competitividade no futebol. Aumentamos a competitividade a um ponto que, na minha opinião, o futebol perdeu um pouco da sua graciosidade. E isso é até óbvio, se um jogador da Itália recebe o mesmo treinamento físico de um jogador do Uruguai, a tendência é que seus desenvolvimentos como atletas sejam parecidos. 



Em finanças, desenvolvemos a ideia de que não há fórmula mágica para ganhar dinheiro com o mercado financeiro, pois se um método for eficiente, todo passarão a utiliza-lo e este deixará de ser eficiente. Através da teoria de Markowitz chegamos a conclusão de que basicamente, a carteira utilizada por todas as corretoras, bancos, empresas etc,  são, teoricamente, as mesmas, o que muda (sem querer ser chato, teoricamente) é o percentual que será investido em cada investimento (isso depende do risco de determinado investimento, seu retorno esperado e a aversão ao risco do investidor). Apartir do momento, que se todos utilizarem a mesma análise de risco x retorno, todos chegarão a um valor igual, todos escolherão o  mesmo investimento, aquele que tenha melhor relação risco x retorno, o que deixa todos, TEORICAMENTE!!!! com a mesma carteira.

Aplicando um pouco dessa teoria de finanças no futebol, podemos ver que, se existe, um jeito ótimo de jogar, a tendência é que todos os times passem a utiliza-lo, e de fato, se você observar jogos antigos, da copa de 1930, 1950, os jogadores são meio desengonçados, cada um joga de uma maneira diferente, hoje em dia todos basicamente aplicam a mesma técnica. Mas como poderíamos fazer para demonstrar que de fato o futebol veio tornando-se mais competitivo ao longo dos anos? Eu peguei todos os resultados de todas as copas desde 1930 e avaliei o número de empates relativo ao número de partidas que foram realizadas naquela copa específica, e o resultado que encontrei foi o seguinte:




O aumento do número de empates desde as primeiras copas mostra que conforme a tecnologia se desenvolveu durante o tempo os times foram ficando cada vez mais competitivos. 
Eu acredito que para dar mais força a teoria, não era suficiente fazer um levantamento do percentual de empates em cada competição desde sua origem, portanto, tinha que encontrar alguma outra variável que estivesse também correlacionada com o aumento da competitividade no esporte. Depois de avaliar as partidas antigas das copas e as da nova copa é bastante claro perceber em que parte do time podemos observar uma melhora substancial no desempenho, a defesa. Antigamente os zagueiros eram desajeitados e lentos, hoje em dia eles são rápidos e fortes. Com a melhora do sistema defensivo dos times é natural que fique mais difícil para os atacantes serem bem sucedidos, isso significa dizer que o número de vezes que eles marcam um gol deve ter reduzido. E de fato isso occoreu, como mostra o gráfico da média de gols por partida das copas.



Obviamente, a tendência do futebol não é que todas as partidas terminem empatadas, muito menos que não tenhamos mais gols, até porque pensem o seguinte, não é possível termos na mesma partida uma defesa perfeita jogando contra um ataque perfeito. Se uma defesa for perfeita, significa dizer que esta não sofrerá gols, ao mesmo tempo, um ataque perfeito não perderá nenhuma oportunidade e sempre que chegar ao campo adversário irá marcar, mas como ele pode marcar gols contra uma defesa perfeita? As falhas no esporte são comuns, como existiriam gols se não existissem falhas da defesa? E se os ataques não falhassem nunca, pra que colocar defensores? É a minimização da taxa de ocorrência dos erros que é a tendência dos esportes,  o que leva ao aumento da competitividade.

Quando tratamos de seleções que representam países, isso fica bem evidente, pois os jogadores não são propriamente contratados, quer dizer, eles não recebem um "salário" por estarem jogando na seleção, sendo assim, cada país pode escolher seus melhores jogadores sem se preocupar com a sua folha de pagamentos, agora, quando vamos avaliar os times dos campeonatos nacionais, a coisa muda de figura. Cada clube tem um orçamento, uma folha de pagamentos etc, portanto, o time que for melhor administrado e tiver mais dinheiro será o time que poderá contratar os melhores jogadores, aqueles que estarão mais aptos a executar a "melhor" estratégia para vencer no jogo. 


Leia, praticamente, a mesma história no NY Times:


Post do blog Economix


Os mais próximos vão lembrar de eu ter comentado a respeito.

sábado, 3 de julho de 2010

Por enquanto a teoria persiste

   Hmm ok... A Alemanha quase está acabando com a minha previsão de média de gols para essa copa do mundo, eles estão com média de gols de 2,6, enquanto o segundo colocado, Argentina, saiu da copa com uma média de 2 gols por partida, no total, temos uma média de 2,2 gols por partida. Sem a Alemanha, nós teríamos um total de 120 gols, ou seja, exatamente 2 gols por partida, como eu havia previsto, porém, os 2,2 ainda estão dentro do intervalo que eu tinha determinado.

   Ainda temos 3 jogos até acabar a copa e até agora já tivemos 60 jogos e 15 empates, eu tinha previsto um total de 15 empates, com banda de liberdade de 1 para mais ou para menos. Por enquanto parece que estou indo bem.

Ver o post: Previsão (no mínimo diferente) para essa copa

Fonte de dados: FIFA